maio 12, 2006

Selos

O negócio dos selos sempre foi – pensávamos nós – pouco mais do que um passatempo para muitos portugueses. E, porque não estamos sós no mundo, é natural que outros povos também ocupem os tempos livres com tal actividade.

Recordo-me de há trinta e cinco anos, quando regressei da Guerra de África, minha irmã, então funcionária dos CTT, me ter presenteado com todas as colecções de estampilhas postais emitidas no período em que estive em Angola. Naquela altura nascera um sobrinho que teve igual oferta, coisa que parecia aliciante, pois a criança teria para seu futuro, todas as colecções emitidas em Portugal, desde que vira a luz do dia.

É verdade que às vezes somos ingratos ao não preservarmos as ofertas que nos fazem, mas, por muito que me esforçasse não consegui adquirir o gosto e entusiasmo pela continuidade da colecção.

Daqui nada se conclui a não ser o facto de me reconhecer sem gosto nem aptidão para o coleccionismo, e, muito menos, quando sei que nunca conseguirei completar o que estou a coleccionar.

Por me conhecer assim, fico algo admirado quando tomo conhecimento de que há milhares e milhares de pessoas, em todo o mundo a investirem fortunas em selos de correio, que não são mais do que simples rectângulos de papel emitidos para comprovar o pagamento do serviço prestado pelas entidades responsáveis pela distribuição e entrega de correspondência e encomendas ao domicílio.

Sabemos todos que um negócio é bom quando quem compra e quem vende tem benefícios. E foram os apregoados benefícios que atraíram muitos “investidores”. E estes não pararam para pensar como é que a empresa que os estava a aliciar iria criar mais valia para lhes pagar o lucro oferecido.
Se um eventual “vigarista” me quer vender um produto por um valor, e eu, com a minha esperteza saloia, penso que aquilo vale mais e compro, não estarei a vigarizar quem me quer enganar?

Quando as pessoas entram num negócio que não oferece garantias, não estarão a participar numa ilegalidade?

Jorge Santos
in «Primeira Página»

Publicado por dizerbem em maio 12, 2006 11:09 AM
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